Postura do Educador: Ponderações - Confissões dos Alunos de Pedagogia

15 fevereiro 2020

Postura do Educador: Ponderações


Caríssimos,

Estou aqui, neste tom de carta, para fazer algo diferente do que venho fazendo ao longo de minhas postagens. Decidi fazer uma espécie de desabafo neste espaço que criamos, sob a supervisão de nossa professora Mª Aparecida Viana, com o intuito de dividir o que aprendemos com quem está passando pelo mesmo processo acadêmico que nós. E, fazendo jus ao termo
confissões no nome do blog, me permito agora dividir alguns pensamentos que me ocorreram diante de determinadas situações que se deram em sala de aula.

Desde que eu entrei no curso de Pedagogia, e nem faz tanto tempo assim, ouço falar da postura combativa que o educador deve assumir diante do contexto sociopolítico no qual está inserido. Tudo bem! Super concordo! Mas, até agora, não ouvi sobre a postura que o educador deve manter dentro da sala de aula no contexto de convívio. O educador tem que ser temido? Amado? Odiado? Suportado? Pouco se fala sobre isso. Eu, pelo menos, ainda não ouvi.
Eu sei que ainda estou no primeiro período e sei também que ainda tenho muitas águas pela frente. O caminho é tortuoso e nunca é fácil se defrontar com egos dilatados. Percebi que, a medida que o sujeito aumenta sua graduação, o bom senso, a memória de curto e longo prazo, a empatia (por que não?) escorrem como um rio só deixando o lodo do ego inflado e da hipocrisia. Viram quase que semideuses detentores da razão absoluta, enquanto pregam exaustivamente o contrário. Não generalizo, de jeito nenhum, mas tenho percebido isso com uma certa frequência.
Nesse curto espaço de tempo tenho conhecido futuros colegas de profissão maravilhosos e que hoje me dão o exemplo do que devo ser enquanto educadora. Pessoas que tem "quilos e quilos" de diplomas: várias graduações, mestrado, doutorado, especializações e por aí vai; mas que são de uma sensibilidade e de caracteres ímpares. São pessoas que, certamente, têm boa memória e lembram as dificuldades de ser um estudante universitário, e, de certa forma, se compadecem por quem está passando pelo caminho que outrora passou; ou, simplesmente, têm corações imensos.
Por outro lado, tenho estado com pessoas que, também tem vários diplomas, mas só pisam no chão por determinação gravitacional. São donos de uma empáfia tão grande que é difícil estar no mesmo ambiente. Não há diálogo e a sua palavra é sempre a última, a certa, a decisiva. Não comete erros e, quando comete, a culpa nunca é dele(a).
Nós, seres humanos, temos a tendência de amar o que é justo, mas se entregar a frustração do injusto. A dor, a tristeza e a chateação nos consomem muito mais que a alegria. O problema é que, esses sentimentos, se não são devidamente tratados, viram uma bola de neve de ódio e vingança. Se o indivíduo internaliza tudo isso, acaba jogando toda a lama emocional causada em sua vida acadêmica nos seus futuros alunos ou colegas de trabalho. Juntando isso ao narcisismo que vem com os muitos diplomas, a criatura se transforma em alguém, no mínimo, intratável.
O que quero dizer é que na vida, eventualmente, nos defrontamos com pessoas difíceis. Na parte acadêmica não é diferente. Cada um tem sua história, seus universos particulares e motivos que, muitas vezes, explicam suas atitudes (muito embora não as justifiquem). Sei que muitas vezes nos frustraremos (oh Jesus!) e a vontade de desistir vai vir forte, e sei que certas atitudes de outros podem minar nossa autoconfiança e tirar o nosso chão. Mas não devemos permitir que cresça em nós a erva daninha que pertence ao outro. Leve-os sempre como exemplo do que não fazer enquanto profissional e isso vale para qualquer área. Tenha-os como a alavanca necessária para voar alto e não a âncora que te puxa para baixo. Não seja jamais aquilo que você condena e que te causa frustração!
E quanto a nós, futuros educadores, pedagogos ou não (não tenho regras quanto a isso), tenhamos como espelho àqueles que nos motivam e incentivam a ser sempre os melhores. Tenhamos como foco conquistar o respeito de nossos alunos, nós que seremos um dos modelos de conduta destes que estão, muitas vezes, em fase de construção da personalidade. Sejamos sempre humildes e conscientes de que só conseguimos crescer porque profissionais incríveis passaram pelas nossas vidas aquecendo nossos corações e doando, de muito bom grado e generosamente, seus conhecimentos. Sigamos seus passos!
Fica aqui a minha reflexão.




Carinhosamente,
        Larissa R.

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